A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, parece ter adotado o mesmo modo operandis do presidente Lula quando se trata de lidar com opositores: o silenciamento por meio do tapetão. A ironia é cruel — Lula, que foi vítima de um processo judicial questionável em 2018 e impedido de disputar as eleições, decidiu se vingar dos seus opositores e agora parece ter feito escola. E Márcia está na fila da frente.
O que está em jogo não é apenas uma disputa política entre ela e Luciano Duque, mas sim a integridade da democracia local. Márcia, que deveria dar exemplo de diálogo, respeito e enfrentamento nas urnas, opta por usar sua maioria na Câmara de Vereadores para caçar politicamente seu principal adversário. Isso não é justiça, é vingança. Isso não é democracia, é oportunismo travestido de legalidade.
Luciano Duque pode até ser seu opositor político, mas é também um ex-prefeito que tem história em Serra Talhada, e merece — como qualquer cidadão — o direito ao contraditório e à disputa limpa. O povo deve escolher seus representantes no voto, e não assistir a esse espetáculo deprimente de bastidores, onde o que vale é eliminar o adversário no grito e na canetada.
Márcia Conrado tinha a oportunidade de mostrar maturidade política. Ao invés disso, preferiu seguir o caminho mais sórdido: o da perseguição. Silenciar quem pensa diferente é prática de regimes autoritários, não de uma democracia saudável.
E o povo de Serra Talhada? Vai assistir calado a esse jogo de cartas marcadas? Vai aceitar que um projeto de poder pessoal se sobreponha ao direito coletivo de escolher livremente seus líderes?
A democracia se constrói com debate, com confronto de ideias, com respeito às diferenças — não com retaliação política.
Serra Talhada não é palco de coronelismo disfarçado de gestão moderna. Está na hora da prefeita lembrar que o verdadeiro poder emana do povo. E que o povo saberá dar sua resposta no tempo certo.