A prefeita Márcia Conrado parece ter feito da incoerência política a marca registrada de sua gestão. Por muito tempo, se apresentou como amiga fiel da governadora Raquel Lyra e pupila do presidente Lula, desfrutando dos bônus de ambos os lados. No entanto, bastou a aproximação entre a governadora e o deputado Luciano Duque — seu antigo aliado — para Márcia virar o tabuleiro político de cabeça para baixo, num movimento que lembra mais um ato de vingança pessoal do que uma estratégia responsável.
Longe dos holofotes, em reuniões discretas e acordos velados, Márcia já articula alianças com João Campos, prefeito do Recife e nome cotado para disputar o governo de Pernambuco. Em vez de fortalecer os investimentos que Raquel Lyra sinalizou para Serra Talhada, a gestora escolheu boicotar silenciosamente a parceria, deixando a cidade refém de disputas políticas e ambições pessoais.
Nas redes sociais, Serra Talhada é mostrada como uma cidade modelo — limpa, organizada, com saúde e educação em dia. Mas basta percorrer as ruas da cidade para que o contraste se imponha: buracos, postos de saúde com estrutura precária, escolas sem manutenção adequada. A propaganda oficial tenta criar um mundo de fantasia, onde tudo parece funcionar, mas a realidade grita nas esquinas.
Márcia age como quem coloca o próprio projeto político acima do bem coletivo. Não aprendeu — ou se recusa a aprender — que liderar é, sobretudo, saber convergir diferenças em nome de um bem maior. O povo de Serra Talhada espera gestão, não jogo duplo. Espera compromisso, não oportunismo.
Agora, diante da possibilidade de integrar uma chapa majoritária com João Campos, a prefeita abandona — mais uma vez — qualquer resquício de lealdade e mergulha de cabeça em mais um projeto pessoal, deixando claro que,
Quando o assunto é Márcia Conrado, o prato que se come hoje pode ser o mesmo em que se cospe amanhã.