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Márcia Conrado e o Projeto Familiar de Poder

 


A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, resolveu deixar de lado qualquer pudor político e escancarou aquilo que muitos já suspeitavam: a prefeitura virou um projeto pessoal, quase familiar. Ao lançar seu esposo, Dr. Breno Araújo, como pré-candidato a deputado estadual, Márcia parece não estar preocupada com representatividade, tampouco com os interesses da população. O foco é um só: manter o poder em casa.

Essa pré-candidatura soa menos como um projeto coletivo e muito mais como um teste de popularidade — um ensaio geral para algo maior. Márcia quer medir o potencial eleitoral de Dr. Breno, preparando-o não apenas para uma vaga na Alepe, mas, quem sabe, para sucedê-la diretamente na prefeitura. A jogada é arriscada, mas revela o real interesse da prefeita: perpetuar-se no poder, ainda que nos bastidores.

O problema é que, ao agir assim, Márcia enfraquece a democracia local. Em vez de abrir espaço para novos nomes, novas lideranças, ela prefere girar em torno de um círculo fechado, onde ela é o centro e o entorno é ocupado por quem lhe é mais próximo. A política, que deveria ser espaço de debate, representação e pluralidade, vira trampolim para ambições pessoais disfarçadas de projetos populares.

É cedo para dizer se a pré-candidatura de Dr. Breno vai se sustentar. Mas é evidente que Márcia já desenha as próximas eleições com um único objetivo: garantir que, saindo ou ficando, ela continue mandando. Em Serra Talhada, a eleição mal acabou, e a prefeita já joga suas cartas para a próxima.


A população precisa estar atenta. A política não pode ser reduzida a um jogo de família. Serra Talhada não é herança, nem propriedade privada. É cidade, é povo, é futuro. E merece muito mais do que um projeto de poder travestido de pré-candidatura.

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